O Triste Fardo da Felicidade

Querer ser feliz é muito justo. Mas o direito à felicidade é, no mainstream da cultura ocidental, algo muito novo à nossa consciência. Ainda estamos aprendendo a lidar com isso.

Gerações anteriores ainda estavam lidando com o fardo natural das sobrevivência. Lutando por seu direito de ser, pela possibilidade de alimentar-se e pela cura de inúmeras enfermidades. Mas o mundo mudou rapidamente e os avanços foram impressionantes. Ainda que não universais.

A fome já é distante para uma grande parte da população, a medicina fez avanços impressionantes e seu acesso já não é tão distante. Há trabalho cercado de direitos aos trabalhadores e repentinamente começamos a falar no direito de ser feliz, quase acabamos com o trabalho infantil e a escravidão, e realizar-se, sentir-se completo e pleno, surgiu no menu. Que coisa boa.

Eu acredito nisso. Temos esta possibilidade hoje, e eu diria até mesmo que temos esta necessidade. Mas como tudo que nos é novo, ainda estamos tentando aprender como isto é feito e, para muitos, ser feliz torna-se um pesado fardo.

A consciência de que ser feliz no trabalho é possível, e de que deveríamos achar caminhos para isso, coloca muitos sob a tensão de não ser feliz. Não estar completamente realizado no dia-a-dia acaba sendo um peso ainda maior quando colocado frente a frente com a consciência de que ser feliz é bom e possível.

Surge a culpa e a angústia do não estar sentindo-se realizado e pleno. O estado de não êxtase torna-se um estado de sofrimento emocional, por vezes físico, e a possibilidade potencial a ser feliz torna-se o fruto de angustia.

A insatisfação é fundamental para provocar o movimento, a busca do novo e o abandono do antigo, que por eventualmente levará a momentos de grande realização, mas a medida aqui é importante, pois se errada a dose, torna-se sofrimento imobilizador que consome a energia.

Como fazer para manter-se no rumo e na medida boa? Não há resposta simples, mas tomar esta consciência e aprender a pedir ajuda é um belo início. Busque a serenidade dentro de ti. Entenda que a vida é fluxo e mantenha-se no seu, cada vez mais leve, e a felicidade surgirá sem peso.

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