A empresae a espera do Messias

A busca por talentos nas organizações


Sou judeu, portanto a idéia de esperar pela chegada do Messias não me é nova. Também não me é muito convincente.

Estive hoje fazendo a abertura de um evento para executivos. Logo após minha participação o palco foi preenchido por CEOs de diferentes organizações, dispostos a um bate papo generoso. Um deles diz:

"Faltam talentos excepcionais nas organizações.”

O que? Será mesmo? É possível que com o nível de acesso e educação que temos hoje faltem estes talentos nas organizações? Talvez, meu caros executivos, o problema seja a esperança messiânica de que algum talento incrível venha a levantar seu cajado para abrir o mar das dificuldades e mostrar um caminho amplo para o futuro livre. Isto pode não acontecer. Mas pra mim o problema está nas organizações. O que faltam são fóruns coletivos de diálogo para que possa, sim, acontecer a criação, a construção do novo.
Não existem, na maioria das organizações, o espaço e o hábito de conversar para criar ou para solucionar. O mito do herói impera, e assim, organizações cheias de pessoas incríveis seguem procurando o salvador. Duas cabeças pensam melhor do que um e assim por diante. As organizações tem medo do resultado, que pode ser transformador.

Não é toda hora que surge um ícone, como o ultimamente ovacionado Steve Jobs. E digo com certa segurança que Jobs, em sua empresa, seria demitido em poucos meses.

Cito o querido Gil em sua Música Expresso 222:

Eu também to do lado de Jesus,
só que acho que ele se esqueceu
de dizer que na Terra a agente tem
que arranjar um jeitinho pra viver.

Queridos CEOs, executivos e lideranças em geral. Parem de esperar o garoto prodígio e juntem essa galera maravilhosa que está aí em diálogos abertos e mergulhem nos talentos do coletivo. Escutem de verdade e tenham coragem de ousar, mesmo que eles digam algo que te parece estranho. Se o mar não se abrir, esteja certo, eles encontrarão uma maneira de transpô-lo ou, melhor ainda, usá-lo a seu favor.

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