A Era do Sofrimento e os Jovens Talentos

O Sofrimento dos Profissionais e a Energia Aprisionada

Talvez um dos elementos mais compartilhados por jovens talentos hoje, seja o sofrimento.

Na realidade podemos ampliar isto para qualquer idade. O sofrimento na relação com o trabalho é hoje assustadoramente presente entre profissionais de alto potencial. Por que? O que estamos perdendo pelo caminho que nos está levando a esta situação. Há cerca de vinte e cinco anos, as áreas RH eram pouco mais do que áreas de processamento de obrigações trabalhistas. Tornaram-se estruturas grandes e diversas, respondendo a um mercado onde as pessoas boas tornavam-se cada vez mais, um ativo raro e fundamental. Ao passo que a gestão das equipes demandavam mais conhecimento e capacitação de seus líderes. Nos últimos anos surge a área diretamente chamada "Pessoas”, dando ainda mais ênfase a esta preocupação e ao valor dados aos jovens talentos. Ainda assim, o sofrimento cresce e toma cada vez mais pessoas com altíssimo potencial.
Acredito que uma das causas centrais esteja no fato de que a esmagadora maioria da organizações ainda não conseguiu reinventar seu modelo de gestão, e operam segundo valores e diretrizes que, por mais que venham sendo remodeladas, estão apoiadas em pilares antigos. Para se mexer tão profundamente em estruturas é preciso muita coragem e uma determinação inabalável direcionados para isto. As informações sobre este caminho estão disponíveis, pois existem organizações novas, nascidas de modelos completamente novos, que trazem sinais contundentes. Mas a coragem de entende-las como referência ainda é rara.

Enquanto isso, a multiplicidade e a abundância seguem dentro de cada um, aprisionadas pela dificuldade de encontrar caminhos para se realizar. O resultado é o sofrimento que se amplia.

Ouço pessoas com alguma senioridade que confundem isto por uma frescura de uma juventude mimada. Se enganam. O sofrimento de uma juventude raramente faz sentido àqueles que a viveram em outras épocas. Mas os sofrimentos de cada geração é aquele pertinente ao mundo que vive. O mundo hoje evidencia extremos. Há dor pela falta e há dor pela abundância. Em poucos lugares encontra-se o equilíbrio. Na era dos extremos, há que entender que, aos jovens, pode não fazer sentido viver de forma branda. Assim como a todos, independente de idade, que navegam mais às tendências que à calmaria. Realizar seu potencial de maneira média, encolher-se para caber nos espaços que lhes oferecem, sorrir para a mediocridade que por vezes é proposta e aceitar a pressão por resultados que pouco tem a ver com seu sonho de realização, ainda que por uma recompensa em dinheiro aparentemente boa, são propostas insustentáveis no longo prazo.

Muitos conseguem empreender em criações próprias. Mas outros tem a dificuldade em fazê-lo. Vagam perambulando em tentativas e dor. Enquanto empresas robustas e com maturidade poderiam juntar-se a eles dando o que falta para que se crie, preferem sofrer na insistência em seus modelos e, quando ousam integrar um destes desgarrados, tentam coloca-los mais uma vez em um espaço no qual já é sabido que ele não encaixa. O ciclo da imobilidade sofrida se reedita.

Este sofrimento é energia pura, pronta para ser posta a trabalhar e disposta a isto. O mercado corporativo ainda sofre, por sua vez, com sua inabilidade de encontrar pontes para unir suas necessidades às destes Altos Potenciais. Basicamente tem dificuldade de entender como podem fazer sentido no mundo que vem se formando. Enquanto as empresas não se dispuserem à coragem de encarar esta questão com a empolgação do aventureiro, agradecidos por ela estar lá, ao invés de com raiva por considera-la um estorvo, seguirão sob pressão imensa, enquanto parte da energia que deveria virar resultados, torna-se sofrimento.

É preciso falar sobre isso. É preciso criar este fórum e libertar este diálogo dos porões do medo da incerteza.

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