O Poder da Linguagem e a Liderança


Quando um lobo não souber como definir-se enquanto lobo, acabará por viver como um cachorro. E nenhum de nós terá a oportunidade, jamais, de conhecer um lobo.

Não é tema novo a dialética relação entre a linguagem e a construção da cultura. George Orwell, ao escrever 1984, explorou brilhantemente esta questão, bem como exploraram esta discussão os filósofos da Escola de Frankfurt.

Designers definem tonalidades diferentes por nomes diferentes quando referem-se a cores que outros talvez agrupassem sob um único nome. Criar nomes diferentes para coisas que definem elementos distintos nos permite perceber e entender estas diferenças. Quando uma cultura quer ou precisa perceber diferenças sutis em algo, acaba por nomear de maneira distinta cada um dos elementos que carregam distinções pequenas em relação ao outro.

Durante anos tive uma grande empresa como cliente, e entre suas linhas de produtos haviam sabões em pó. Os químicos que desenvolviam produtos trabalhavam com nomes diversos para definir tonalidades que eu, e provavelmente você, definiríamos apenas como branco. O mesmo se diz sobre os Inuits, ou eskimós. Embora esta seja uma história mais do campo do romantismo do que da realidade (leia).

Há mais de duas décadas venho trabalhando com a identificação, mapeamento e desenvolvimento de lideranças. Tenho percebido que, cada vez mais, este balaio recebe coisas muito distintas. Líder é uma palavra importante. Fundamental para qualquer empresa, sociedade, coletivo. Mas há que se entender o que ela significa, e seu significado tem sido empobrecido, bagunçado e mediocrizado por abranger, cada vez mais, profissionais em cargos diversos. Muitos deles, que nada tem ou devem ter com a liderança. Alguns recebem seus títulos de líder como um peso, e mal saberão o que fazer com ele. Jamais o quiseram. Além disso, querer, no tangente à liderança, não basta.

Um título pode revelar um líder, mas não faz um. E por isso a palavra vem se esvaziando. Líder hoje é um termo fácil, usado de maneira irresponsável para definir grupos de profissionais em organizações diversas. Isso pouco prejudica estes gestores, mas vem destruindo o significado deste termo. O esvaziamento da palavra Líder é grave. Nos está privando de identificar, entender, localizar e desenvolver lideres verdadeiros. ATé mesmo de saber o que é isso. Isto é triste e as organizações, as sociedades e diria certamente que o mundo, estamos todos pagando um alto preço por isso.

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