Sucessão de Lideranças

Quando uma empresa nos escapa entre os dedos

Processos sucessórios figuram entre alguns dos maiores desafios históricos de uma empresa. Não são poucas as que gozam de décadas de sucesso e crescimento e padecem no momento da sucessão ou profissionalização. Desconsiderar a complexidade e profundidade deste momento tem sido um dos grande equívocos organizacionais dos últimos, ao menos, trinta anos. Tenho me envolvido em processos como este há décadas e fui provocado por um cliente a organizar um pouco alguns pontos de atenção para estes momentos. Aqui vão alguns que considero fundamentais:

– Não subestime o impacto que a transição de lideranças tem em sua empresa. Entenda e aceite que este processo trará mudanças grandes, e é assim que deve ser.

– Não subestime as dificuldades deste processo. Grande parte da empresa resistirá à mudança, ainda que a entenda necessária. Se você acredita que em sua empresa não será assim, cuidado! Provavelmente você está enganado.

– Uma escolha ruim tem altíssimo preço para uma empresa. Não escolha um sucessor sozinho. O executivo a ser substituído não é a melhor pessoa para fazer a escolha, e se a empresa for sua e você quiser ter papel central nesta escolha, assessore-se de pessoas competentes que não tenham medo de discordar de você.

– O novo líder não será e nem deverá ser um clone do anterior. Um verdadeiro líder vem para transformar e modernizar. Um executivo que venha para manter o status quo não é um verdadeiro líder, e em pouco tempo a empresa começara a perder energia. Um novo líder, para fazer bem para a empresa, precisa ter um equilíbrio entre concordância e visão crítica ao que ela vem fazendo até então. Tenha certeza, no entanto, que o sonho é levar a empresa a evoluir, e não transformá-la em outra.

– Não desconsidere os aspectos subjetivos envolvidos em um processo transitório. Eles podem boicotar tudo e levar a empresa a imensas dificuldades. Isto se acentua tremendamente em empresas familiares, mas toda empresa está mergulhada neles.

– Prepare-se para alocar tempo e recursos para este processo. Se tratá-lo como uma troca mecânica e simples o custo será alto e o processo ineficiente e traumático.

– Tenha uma assessoria profissional para apoiar o processo. Não acredito e conheço poucos casos de sucesso que não contaram com profissionais externos, preparados para isto e com um olhar menos passional à empresa.

– Por fim, considere montar em sua empresa um processo consistente de gestão do pipeline de líderes. Isto é fundamental no composto de gestão de riscos de uma organização e torna a visão e a gestão de longo prazo muito mais potentes, seguras e eficientes. Além, é claro, de facilitar imensamente os momentos sucessórios. Comece a fazer isto já.

Boa sorte, e que sua empresa seja permeada por muitas gerações de líderes.

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