Um dia é da caça...e o outro?

Conceitos antigos na gestão moderna

Você é desses que sai de casa todos os dias pra matar um leão?

Cuidado, você pode estar fazendo algo errado.

Me surpreendo em ver o quão recorrente ainda é a frase "matar um leão por dia”, mencionada por profissionais na intenção aparente de evidenciar como é duro o caminho para a sobrevivência profissional, ou talvez ao sucesso. Há poucos meses, um dentista americano matou um leão, em uma expedição de caça no Zimbabue. Foi criticado duramente no mundo todo, viu sua imagem definitivamente maculada e seu consultório esvaziado. Acho interessante que isto tenha ocorrido, mas me pergunto porque seguem, profissionais de todas as esferas, a se gabarem por matar um leão por dia.

Sei que a expressão é simbólica, mas insisto que a linguagem tem em si grande força, e as palavras tem poder intrínseco a elas. Representam além a consciência, e atuam diretamente na formação sutil da cultura e de nossas crenças.

Não acho que ninguém que use esta expressão esteja efetivamente pensando em matar um animal, muito menos um leão, mas há que se pensar se o uso recorrente desta frase não é um forte indício de que o modelo de trabalho e a cadeia de valores do trabalho ainda predominante é, assim como matar um leão, uma referência ultrapassada, que não levará profissionais e empresas aonde precisam chegar.

Quais são os novos modelos de trabalho? Quais são os novos valores de gestão? Principalmente: quais são os novos indicadores de sucesso, que façam sentido para o mundo que se constrói?

O velho caçador com cabeças penduradas nas paredes não é mais o símbolo de sucesso, mas sim o símbolo do ultrapassado, inaceitável no mundo de hoje. Serão execrados pelo mercado e pelos profissionais que vem chegando para criar o futuro.

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