Do Novo e do Antigo … de novo.

quando o novo e o antigo aprenderem a prosear...

Admiro e me entusiasmo com o novo, cheios de fé na inovação. Acho bonito a descoberta do jovem que olha o presente com olhar fresco. O vê de outra forma e percebe o anterior como antigo. Nada mais justo, pois é mesmo, o anterior, antigo.

Honro o novo que chega cheio de fé, acreditando ser sua forma de ver, soberana. É justo que a veja assim, pois não tem ele, ainda, a experiência vivida, que desnuda a cruel diferença entre o que acreditamos e o que a realidade realmente oferece. A realidade faz de nossos sonhos projetos maravilhosos, infelizmente, quase sempre, muito diferentes dos nossos.

Ao jovem se apresenta a visão em seu puritanismo convicto. Sem a crueldade da vida. Vem ele com ferramentas novas e linguagens mais ágeis e isto deve ser acolhido e brindado.
Mas me preocupa a visão fragmentada, que nos é hoje tão própria, ao fragmentar também a relação do novo com o antigo.

O anterior não deve jamais ser desprezado, pois tem em si riquezas tão desconhecidas e valiosas quanto o novo. Elas também são novas pois o antigo não era antes antigo, e o é agora pela primeira vez. Ser antigo é sempre novo.

A tradição não nasceu do nada, e foi ela que nos trouxe até onde posamos. Integrar o novo cheio de coragem, com a experiência cheia de sabedoria, fazendo que este encontro mude a ambos e construa um novo ainda mais novo é o futuro que gostaria de assistir, e o caminho para construir sucesso, seja lá como for ele avaliado.

 

*de minhas conversas regadas a aroma de café com meu amigo José Bueno. Há que se honrar nossos Mestres.

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